Pheby - Sadeqa Johnson | TAG Inéditos - Jul/22
Sinopse:
No Sul escravagista dos Estado Unidos do século 19, Pheby Dolores Brown é filha de uma mulher escravizada com o dono da fazenda onde vive. A ela é prometido que, ao completar dezoito anos, poderá ir para uma escola e viver a liberdade não reservada à mãe. Mas isso não acontece: enviada para a prisão dos Lapier - também conhecida como Terra do Diabo -, Pheby se torna a companheira do homem que comanda o local, uma posição que lhe dá aparente autoridade, mas também a obriga a se relacionar com o próprio diabo - e isso implica uma série de sacrifícios para proteger a si mesma e aqueles que ela ama.
Esta ficção histórica foi escrita com louvor por Sadeqa Johnson, ela teve como inspiração Mary Lumpkin depois de um passeio feito em família pela trilha dos escravos em Richmond, Virgínia. Ela inicialmente pensou que Robert Lumpkin era negro, pois os casamentos em negros e branco não eram permitidos na época, mas então ela pensou "como um negro gerenciava uma cadeia e o comércio de outros negros?". Foi então que ela descobriu que Robert era branco, com o fim da Guerra Civil (1865), Robert emancipou Mary, casou-se e mandou duas de suas filhas para uma escola em Massachusetts. Para saber o que Sadeqa seguiu da história original e o que ela criou, somente lendo o livro, eu jamais daria spoiler de um livro tão bom!
É o tipo de livro que faz você procurar a história original para entender o que é verdade e o que é inventado. É legal já contar à vocês que Mary, diferente de Pheby, chegou à prisão de Lumpkin aos treze anos! Mais cruel ainda do que a história do livro!
Não leia se:
Obviamente, por ser um livro que retrata a época da escravidão nos estados unidos, especialmente ao Sul do país, as cenas são bem cruéis. Mesmo! Então se é sensível a cenas com violência explícita, melhor se preparar para ler.
Personagens principais:
Pheby: Por ser filha do dono da fazenda onde nasceu e viveu até os dezessete anos, Pheby teve vantagens em relação aos demais escravos da fazenda. Sua tia, irmã do seu pai/mestre, a ensinou a ler e a escrever, o que era proibido na época. Ela também a ensinou a toca piano, coisa que ela adorava e usava de "escape". Deste modo, criou muita expectativa para ir à escola após completar dezoito anos e não tinha o costume de aceitar que era uma escrava. Por este motivo, quando foi viver na prisão do Lapier, ela sentia muita dificuldade em entender que não poderia ajudar os escravos aprisionados e comercializados por seu marido.
Ruth: Mãe de Pheby, a quem ela carinhosamente chamava de Mama. A ensinou que ela "era uma escrava no nome, mas nunca na sua cabeça". O seu maior sonho era ver Pheby liberta. Fez tudo o que pode para conseguir essa tão sonhada liberdade. É uma personagem forte, que aprendeu a como sobreviver dentro das regras terríveis as quais os escravos era submetidos.
Essex: Cuidava dos cavalos da fazenda dos Bells e o grande amor de Pheby. Era um homem forte e sonhador, ele tem papel importante nas ações de Pheby ao longo do livro. Mas, se falar demais estrago as surpresas. 😶
Rubin Lapier: O Carcereiro ou mais carinhosamente, o Diabo. O dono da cadeia dos Lapier, mais conhecida como Terra do Diabo. Era um homem cruel e educado ao mesmo tempo. Aos que não era escravo ele era muito solícito e cordial, mas quando ele se "transformava" era capaz de coisas de embrulhar o estômago.
Sobre a autora:
Sadeqa Johnson, ex-gerente de relações públicas, passou vários anos trabalhando com autores conhecidos como J.K. Rowling, Bebe Moore Campbell, Amy Tan e Bishop T.D. Jakes antes de se tornar uma autora. Ela é a autora internacionalmente mais vendida de quatro romances e ganhadora do National Book Club Award, do Phillis Wheatley Award e do USA Best Book Award de melhor ficção. Yellow Wife (nome original em inglês) foi finalista do Goodreads Choice Award 2021 para ficção histórica. Originalmente da Filadélfia, Sadeqa vive atualmente perto de Richmond, Virgínia, com o marido, os três filhos e a cadela Penny.
Para ouvir durante a leitura:
Dá vontade de comer:
Torta americana de maçã. Apesar de todo o ambiente horrível do livro, a autora coloca a música, a interação entre os escravos e a comida como um conforto para Pheby.
No Skoob: Confira aqui mais opiniões
Classificação da Mari:
📚📚📚📚📚
Editora: Dublinense
E aqui, eu preciso fazer um adendo, não tem previsão de edição comercial! 😢 Entrei em contato com a editora para passar uma data para vocês, mas um grande talvez para o ano que vem! Eu quero muito que isso aconteça, pois o livro é muito bom! O que resta é ficar de olho na loja da TAG e rezar para sair o kit avulso do livro.
Mari comenta:
Não quero parecer repetitiva, mas eu amei mesmo o livro. Só não li mais rápido porque queria absorver bem cada detalhe, cada comparação com a vida real. Lisa Wingate sabiamente comentou que "Sadeqa Johnson criou uma mulher cuja luta para sobreviver e proteger aqueles que ama fará quem lê virar as páginas tão rápido quanto seus dedos podem voar". Pela primeira vez, eu li a revista de TAG inteira, amei o conteúdo todo, pois além da entrevista eles fizeram um verdadeXficção muito legal que clareia muito para quem não procurou sobre a história real (diferente de mim, que corri no tio Google instantaneamente..rs).
Bem nesse meio tempo, encontrei o filme Harriet, que conta sobre como uma escrava lutou para se libertar e como ela corajosamente voltou para resgatar também toda a sua família! Outra história incrível de uma mulher forte e determinada.
E aí, depois de toda essa luta e resistência, me deparo com o podcast A Mulher da Casa Abandonada e é revoltante ver que ainda existe muito trabalho considerado análogo à escravidão, a chamada, escravidão contemporânea. E o pior, não é aquele tipo de trabalho escravo de gente trancada presa em um fundinho de uma fábrica não e, exatamente o tipo de trabalho que mulheres escravas em sua grande maioria desempenhavam no auge da escravidão, empregadas domésticas. Sempre com aquela pegada de terro psicológico de "te consideramos como família", mas que "não ganha uma fatia da herança". São coisas que indico para complementar a leitura.
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